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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Gramática de Hebraico Bíblico

Gramática Hebraico Bíblico Page Kelley


 

Créditos: Marcelo

O ponto forte desta Gramática são os exercícios, baseados em textos bíblicos, com as referências bíblicas citadas. Cada lição inclui os exercícios diretamente relacionados com o tema; exercitados são também os conhecimentos adquiridos em lições anteriores. Cada lição inclui uma lista de vocábulos. O conteúdo é apresentado em linguagem simples e acessível e seguidamente inclui definições de termos gramaticais da nossa língua, ajudando, assim, a criar pontes. Esta Gramática também pode ser usada por autodidatas, pois trabalhando bem o conteúdo das lições, estudando os exemplos e consultando as referências bíblicas, pode-se fazer os exercícios e, depois, submeter os mesmos à correção. Esta é uma gramática introdutória: apenas toca em questões sintáticas e não aborda questões da poesia hebraica. Mas trata de maneira clara e bastante completa as noções básicas da língua hebraica, dando boas ferramentas para ler e traduzir boa parte da Bíblia Hebraica.



DICIONÁRIO_BIBLICO_STRONG_HEBRAICO



Tradução para o português da famosa obra de James Strong, The Exaustive Concordance of the Bible. Permite identificar e pesquisar as palavras hebraicas e gregas no texto original, consultando as explicações gramaticais e exegéticas elaboradas por James Strong para cada uma das palavras originais da Bíblia, possui campos de pesquisa próprios, verbetes em hebraico, aramaico e grego com explicação em português e interação com a RA com números de Strong.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Bíblia Online 3.0


Em português a mais completa Bíblia digital, totalmente reformulada, a Bíblia 
Online 3.0 - Módulo Avançado está agora com mais recursos e atrações.
A maior biblioteca virtual da Bíblia existente no mercado nacional reúne 
em sua nova versão 70 traduções da Bíblia Sagrada ou do Novo 
Testamento, em 30 idiomas diferentes, incluindo os textos originais em 
hebraico, aramaico e grego Bíblia Online 3.0 –
 Módulo Avançado Entre os recursos disponíveis, destaque para:
Hinário com letras e músicas, em formato MIDI, de 80 hinos famosos, 
além de 33 hinos em formato karaokê;
Mais de 600 mil referências bíblicas, cobrindo praticamente todos os 
versículos da Bíblia; Dicionário da Bíblia de Almeida, com cinco mil verbetes;
Léxico de Strong, que permite estudar o termo original que está por trás 
de cada palavra traduzida em português ou qualquer outra língua;
Mapas em português e inglês, materiais devocionais; e histórias 
bíblicas infantis em multimídia; Trechos da Bíblia em áudio drama;
Artigos sobre a tradução da Bíblia, com fac-símiles da tradução original de 
João Ferreira de Almeida, sua biografia e curiosidades sobre a Bíblia. Traduções
 da Bíblia disponíveis em português:
Versões de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada, Revista e Corrigida e 
Revista e Corrigida de 1995;
A Nova Tradução na Linguagem de Hoje;
Tradução Brasileira, a primeira tradução (1917) da Bíblia feita no Brasil. 
Recursos: 
Janelas flutuantes, que facilitam a visualização instantânea dos recursos de 
estudo; 
Função Localizar, que permite buscar uma frase ou palavra em toda a
 Bíblia ou em qualquer livro específico, em uma ou mais das traduções e dos 
materiais de estudo disponíveis no CD-ROM. 


Tamanho: 693.32 MB | Formato: ISO | Idioma: Português - br

Clique aqui para baixar: Biblia On-Line 3.0


Vídeo Tutorial:
http://www.youtube.com/watch?v=k86xff5j1sM
Obs: encontrei alguns links na net e estou apenas compartilhando aqui, os créditos são 
daqueles que produziram, digitalizaram, postaram e compartilharam. orem por esses.


Livro Noções do Hebraico



Este é um livro que pode ser usado tanto por quem já estuda hebraico e quer fixar mais a matéria como por pessoas que querem começar o seu aprendizado da língua ou que já o fizeram em algum momento no passado e estão querendo relembrar.
O 
hebraico é uma língua simples, tão simples que em apenas algumas lições básicas se é capaz de ler, entender e, com o auxílio de um dicionário, traduzir a Bíblia. Este livro chega para lhe alfabetizar e oferecer noções elementares de gramática e verbo.

LIvro  

Obs: encontrei alguns links na net e estou apenas compartilhando aqui, os créditos são daqueles que produziram, digitalizaram, postaram e compartilharam. orem por esses.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os Mapas do êxodo

Nossa perspectiva é influenciada em grande parte pela nossa interpretação ou aceitação da localização do Monte Sinai, se aceitarmos a representação feita nos mapas atuais em nossas bíblias teremos dificuldades para explicar algumas das seguintes questões[1]
ð  Quando Moisés fugiu de Faraó ele parou em Midiã (Êxodo 2.15). Midiã fica do lado leste do golfo de Aqaba, a 'orelha de coelho' a leste do mar Vermelho, na Arábia Saudita dos nossos dias. Midiã nunca fez parte da península entre os dois golfos
ð  Ao situar o Horebe na península do Sinai temos que explicar como Moisés foi tão longe (cerca de duzentos quilômetros) pastoreando ovelhas num região desértica.[2]
ð  Foi em "Horebe, o monte de Deus" que Moisés viu a 'sarça ardente' (Êxodo 3.1), e no verso 12 Deus disse a ele: "Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte".
ð  O monte Horebe sempre se situou em Midiã. Prosseguindo com a comissão que está dando a Moisés, Deus especifica "caminho de três dias para o deserto" (verso 18). Segundo Êxodo 4.27 Arão encontrou Moisés "no monte de Deus" (Horebe, em Midiã), e foram juntos ao Egito.
ð  Quando o povo deixou o Egito, Deus o conduziu numa marcha forçada; observar o "para que caminhasse de dia e de noite" (Êxodo 13.21). Com três dias de marcha forçada (Êxodo 3.18) estariam perto de Ezion -Geber (o Eilat de hoje), e com mais dois dias estariam bem dentro de Midiã. Mas aí Deus mandou que "voltassem” e “acampassem” à beira-mar, defronte de “Baal-Zefom" (Êxodo 14.2). Para fazerem isso tinham de deixar a rota estabelecida entre Egito e Arábia e caminhar ao sul, deserto adentro; e foi exatamente esse procedimento que levou Faraó a concluir que estavam confusos e perdidos (obviamente ele teria espiões seguindo a multidão, muito bem montados, para o manterem informado). Teria sido simplesmente impossível que eles se perdessem entre Gósen e o golfo de Suez (o braço oeste do mar Vermelho), mas é o que são obrigados a alegar os que colocam o monte Sinai na península que ora leva seu nome uma estupidez patente
ð  É considerar que faraó e seus generais eram estúpidos ou Deus estaria enganado, pois se a travessia foi pelo canal de Suez os israelitas estavam dentro do território que no decorrer das décadas e dos séculos os israelitas teriam explorado e caçado por toda aquela área, e seria bem conhecida por eles, ou seja teríamos de admitir que esle se perderam em de casa.
ð  Para que os carros de guerra? Faraó poderia tê-los cercado com soldados a pé, e ainda cerca-los de frente apenas (veja no mapa). Nos mapas pela escala dos mesmos o mar da travessia dar cerca de, 27 km ou seja, com um dia de caminhada se iria dum extremo a outro. Então para que abrir um mar se conseguiria chegar ao mesmo local num período igual sem milagre.
ð  Não existe certeza sobre as localizações descritas no livro de êxodo, apenas conjectura, baseadas em inferências, as quais podem ser encaixadas em diversas  explicações sobre a rota do êxodo.
o   A palavra Sucote é uma palavra hebraica que significa cabana, existem localidades chamadas de Sucote Êxodo 12.37, 13.20 geralmente este locais também é identificado em Canaã, Js 13.27 Juízes capitulo oito contem diversas referencias a Sucote.
o   Também a palavra Migdol é hebraica e significa torre, o mar de Êxodo 14.2 pode referir-se a qualquer um então, Pi-Hairote depende também da localização de Migdol que é genérica e de um mar que também é genérico, sendo assim o mar é qualquer um, inclusive Ácaba.
ð  Alguns mapas identificam o Monte Sinai acompanhado de uma interrogação, ou a frase “localização tradicional”[3]
ð   
ð  Além do já exposto como vamos considerar a declaração de Paulo em Gálatas 4.25 diz que o monte Sinai fica na Arábia. Embora não saibamos a exata definição que Paulo daria a 'Arábia', o que consta em praticamente todos os mapas como sendo o monte Sinai, na península do mesmo nome, não deve ser o verdadeiro. Senão, temos que considerar que Paulo era ignorante quanto o assunto ou estava enganado, e o restante da argumentação de Paulo então é tão invalida quanto a ideia dele da localização do Sinai você não acha?
Existe ainda a questão da palavra utilizada para Mar Vermelho. que é Yam Suph que traduzida ao pé da letra seria Mar de Juncos, baseado nessa tradução alguns estudiosos dizem que a travessia foi num lago ou pântano entre o Suez e o Mar Mediterrâneo, além dos argumentos acima, surge ao menos duas questões sobre isso;
se foi um  lago como esse se dividiu em duas muralhas e passou 2 milhões de pessoas e afogou todo o exercito de faraó. A outra questão é semântica pois o termo Yam Suph é o único termo utilizado no Antigo Testamento para se referir ao Mar Vermelho especialmente 1 Reis 9.26.
Algumas pontos à observar nos mapa de nossas Bíblias:
Rotas Alternativas são apresentadas em diversos mapas.
No mapa 5 observe que existe uma marcação de fortaleza de fronteira, então como explicar Êxodo 13.17?
No Chamado caminho tradicional sequer a rota passa pelo mar. (Ver Mapa 1)
Mapa 1 Bíblias CPAD
Mapa 2 Bíblias THOMPSON
Mapa 3 Atlas Vida Nova e Pequeno Atlas bíblico CPAD





[1] Pickering Wilbur N. THE IDENTITY OF THE NEW TESTAMENT TEXT IV, 2014
[2] A versão ARA diz que foi no lado ocidental, porem ela não traduz sempre o termo rxa ‘achar da mesma forma e  Strong sob o numero 310 jamais indica que ocidental é uma opção de tradução, ou seja o
[3] Mapa utilizados na NVI

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A Saga da Teoria Documental

A SAGA DA TEORIA DOCUMENTAL

Como na ultima postagem prometi considerar algumas questões da escola historicista, darei continuidade aqui ao assunto, porém acredito ser necessário fazer um breve relato dessa escola. Farei observações em postagens posteriores no momento desejo apenas que vocês conheçam ou relembrem as bases da teoria documental .
Existe um consenso básico a respeito do desenvolvimento do método histórico-critico no meio acadêmico, apresento em linhas gerais logo abaixo[1].
Dúvidas sobre a concepção tradicional quanto à origem do Pentateuco foram manifestadas já no século XII pelo estudioso judeu Ibn Esra, no tempo da Reforma por Karlstadt, mais tarde no século XVII por T. Hobbes, B. Espinoza, R. Simon e outros.
Henning Bernhard Witter, pastor de Hildesheim, foi o primeiro a adotar a alternância entre o nome de Deus Elohim ("Deus") e Yahweh, que ocasionalmente já se percebera na Antiguidade, como característica distintiva de tradições em Gn 1-2. Foi ele quem descobriu em Gn 1 uma fonte própria. Sua obra, publicada no ano de 1711,foi ignorada por dois séculos.
Repercussão teve por primeiro o médico particular de Luís XV, Jean Astruc, que dividiu em 1753 todo o Gênesis em dois (ou três) fios narrativos paralelos, com base nos nomes de Deus. Com isto se assentou o fundamento da crítica literária, possibilitando estudos cada vez mais aprofundados nos um e meio a dois séculos seguintes.
a) A hipótese(mais antiga)das fontes (ou documentos):Algumas décadas mais tarde, Johann Gottfried Eichhom, cuja "Introdução ao Antigo Testamento" (1780 e anos seguintes) praticamente fundou- depois de J.D. Michaelis, considerado precursor a isagogia e que, ao mesmo tempo, adquiriu importância com a introdução do conceito de mito, retomou a divisão das fontes e a impôs, comprovando a diversidade em estilo e conteúdo das fontes principais. Enquanto que Witter e Astruc compreendiam as fontes por eles detectadas como tradições utilizadas por Moisés, só no decorrer de seu labor científico Eichhom renunciou à hipótese de que Moisés seria o redator do Pentateuco.
No final do século XVIII, Karl David llgen (Die Urkunden des jerusalemischen Tempelarchivs in ihrer Urgestalt, 1798) descobriu que ao lado das duas fontes escritas já conhecidas havia uma terceira, que usa o mesmo nome de Deus da primeira fonte. Deste modo se conhecem agora três documentos ou fontes escritas: duas falam de Elohim e uma, de Yahweh. Só muito mais tarde se percebeu a grande importância de distinguir duas tradições nos textos em que Deus é designado Elohim.
b) A hipótese dos fragmentos: O enfoque progressivamente diferenciado e a análise de livros além do Gênesis ajudaram a descobrir documentos cada vez mais recentes: coleções mais ou menos autônomas e coesas em si mesmas, originárias de épocas diferentes e que não podem ser enquadradas em fontes contínuas, pelo menos não de forma inequívoca. Assim se pressupôs por volta de 1800 que em vez dos documentos havia também partes distintas, muito diferenciadas, independentes entre si e de extensão variada, ou seja, "fragmentos", que só mais tarde teriam sido juntadas para formarem uma história contínua (A. Geddes, J. S.Vater, também W. M. L. de Wette)[2]
Vale ressaltar que a década de 1880 foi fundamental no desenvolvimento da abordagem histórico-crítica do Pentateuco, pois ela testemunhou a publicação da monumental obra Prolegomena zur Geschichte Israels de J. H. Wellhausen (publicada no ano de 1883 e, em inglês, em 1885). O trabalho de Wellhausen teve uma sólida influência, pois, pela primeira vez, conseguiu-se associar a história da composição do Pentateuco com a história da evolução da religião israelita, de um modo convincente à maioria dos principais estudiosos da Europa continental, Inglaterra e América, enquanto marginalizava academicamente seus críticos (principalmente Hengstenberg e Delitzsch).
A expressão clássica da hipótese documentária pode ser associada ao ponto de vista de Wellhausen, embora atualmente poucos eruditos se considerem wellhausianos. No entanto, uma vez que é à concepção desse autor que cada se refere ao propor sua própria opinião, seria útil, portanto, apresentá-la. Wellhausen defendeu, em continuidade aos estudos precedentes, que o Pentateuco foi composto a partir de quatro fontes básicas. Essas fontes poderiam ser diferenciadas umas da outras com base nos seguintes critérios:
1. O uso de nomes divinos diferentes, particularmente Yahweh (J) e Elohim (E).
2. A existência de duplicidades, ou seja, a mesma história básica contada mais de uma vez, embora podendo envolver diferentes personagens. As duplicidades podem ser narrativas repetidas (p. ex., as histórias da esposa-irmã, Gn 12.10-20; 20; 26) ou relatos distintos servindo ao mesmo propósito no contexto narrativo (p. ex,, os sonhos de José com estrelas e feixes, Gn 37.5-11).
3. Diferenças de estilo, inclusive o uso de dois nomes para designar a mesma pessoa, tribo ou lugar (Reuel/Jetro; Horebe/Sinai; Jacó/Israel; ismaelitas/midianitas).
4. Teologias diferences. Por exemplo, J geralmente é caracterizado como retratando Deus antropomorficamente; D apresenta uma forma de teologia da retribuição; P está repleto de preocupações sacerdotais e tende a enfatizar a transcendência de Deus. Os diferentes pontos de vista nos supostos documentos são frequentemente justificados para mostrar a evolução da teologia de Israel: do animismo para o henoteísmo, chegando finalmente ao monoteísmo. Além disso, os críticos tradicionais percebem uma progressão cronológica entre as fontes em termos da forma de adoração, por exemplo, a questão da centralização da adoração. De acordo com critica tradicional, J ignora a centralização (Ex 20.24-26), D a exige (Dt 12.1-26) e P a admite (Êx 25—40, Números e Lv. 1-9).
Consequentemente Wellhausen diferenciou as fontes com base nos critérios acima, as quais são:
J. No tempo de Wellhausen, o documento J foi universalmente reconhecido como a fonte mais antiga. No entanto, não muitos anos antes de seu estudo, o documento E1 (atualmente designado por P) era considerado a primeira fonte. A característica que resultou em seu nome (javista ou jeovista é o uso do nome pactuai para Deus. A maioria dos críticos atribui J ao início da monarquia, nos sécs. X ou IX a.C., e, por causa de suas referências positivas a Judá, em textos como Gênesis 49.8-12, acredita-se que o documento tenha sido escrito naquela região. O estilo de J é frequentemente caracterizado como “claro e direto, mas sua simplicidade é aquela da arte consumada”. J contrasta nitidamente com P em seu estilo e em sua teologia. Enquanto P concentra-se em Deus, J atém-se ao homem e a terra. J usa antropomorfismos para descrever Deus: por exemplo, Deus molda o homem a partir do barro e passeia com Adão no Éden. J começa em Gênesis 2 (na, assim denominada, segunda narrativa da criação) e continua até de Números, embora possa incluir alguns versículos em Deuteronômio. Para uma lista completa das passagens referentes a J, consulte. Harold Bloom apresentou uma provocante análise de J de uma forma dizendo que o redator de J era uma mulher, talvez uma poeta de Davi, é pura especulação.
E. Enquanto J é associado ao nome de Deus, Yahweh, E é identificado pelo uso do nome mais genérico Elohim. Essa fonte é atribuída a mais de cem anos depois de J (pois infere-se do documento a divisão do reino), sendo redigida em algum lugar do norte, essa última opinião é deduzida do que parece ser uma ênfase nas questões e personalidades ligadas ao reino do norte, como, por exemplo, José. Na teologia, E enfoca mais as preocupações “religiosas e moralistas” E é mais fragmentário do que J ou P (e novo ponto de vista tem apontado cada vez mais de E para J) O documento se inicia com Gênesis 15 e continua até Números 32, embora algumas passagens em Deuteronômio também sejam atribuídas a E.
D. O terceiro fio narrativo criado pela crítica clássica das fontes é D (Deuteronômico), encontrado predominantemente na Torá no livro do qual deriva seu nome. O núcleo de Deuteronômio é muitas vezes identificado como o documento que foi encontrado no templo durante o remado de Josias (2Rs 22— 23). Esse evento comumente é chamo de fraude piedosa pois na realidade o livro foi escondido propositalmente no templo para ser achado “de maneira fortuita” e assim ganhar um ar de sacralidade, porem há grandes debates sobre a forma do documento encontrado naquele tempo, mas, de qualquer modo, quase todos os críticos datam D do tempo de Josias (final do séc. VII a.C. ). Embora D raramente retome os primeiros quatro livros da Torá, sua influência é sentida muito fortemente através do cânon.
P. Dos quatro fios do Pentateuco, P é o que mais se destaca e sua abordagem abrange principalmente a áreas lirtúrgica essencialmente áreas de interesse sacerdotal daí seu nome, fonte sacerdotal [sacerdote em alemão: “priester”, em inglês: “priest”, daí a sigla “P”], essas áreas são, cronologia, genealogia, ritual, adoração e lei.
É também considerada a mais tardia das fontes datando dos sécs. V ou IV a. C., P é reflexo do anseio pós-exílio de restabelecimento do sacerdócio e também a preocupação daquele tempo com a obediência à lei. Essa data refere-se à coletânea do que hoje constitui P, pois se acredita que muito do material tenha vindo de um período anterior. Um argumento usado para amparar a datação tardia da fonte é o fato de que P aparenta influenciar apenas Crônicas, um livro datado não antes do séc. V (Eissfeldt). Seus trechos podem ficar lado a lado com os de outras fontes (como Gn 1.1-2.4a = P e Gn 2.4b-25 = J)
Surgiram devido as divergências teorias de fonte em múltiplas camadas como J 1 e J2 N, G, L e outras siglas novas integradas de modo criativo as quatro principais fontes narrativas da Torá.
Considera-se que os redatores foram os responsáveis pelo desenvolvimento da tradição, à medida que integraram em primeiro lugar J e E, depois D com JE e, finalmente, P com JED. O redator mais importante teria sido o último, visto que ele estabeleceu a disposição particular da forma final da Torá.[3]
Uma expressão bastante comum utilizada pelos professores universitários quando se refere ao assunto é “rejeitá-la é ser relegado ao campo da “ingenuidade e arrogância"(Childs) pois a hipótese documentária tem sido o mais forte rival do ponto de vista tradicional de que Moisés foi a fonte do Pentateuco. Em contraste com este último ponto de vista, a hipótese documentária tira o Pentateuco totalmente das mãos de Moisés, o que, para muitos, levanta indagações sobre a veracidade e a autoridade de Gênesis e do Pentateuco. Afinal, embora o Pentateuco não reivindique autoria mosaica, pelo menos descreve Moisés como aquele que recebe grandes partes do con­teúdo da revelação, particularmente a lei. Ainda que a autoridade do texto se fundamente no próprio Yahweh em vez de em Moisés, não conseguimos deixar de ter dúvidas caso se crie incerteza sobre o quadro que a Torá pinta de Moisés como aquele que recebe a lei no monte Sinai.[4]
Antes de encerrar este post gostaria de deixar uma observação do reverendo Augusto Nicodemus Lopes:
“O grande atrativo do método histórico-crítico é o fato de ser “científico”. Com isto, os seus adeptos dão a idéia de que se trata de uma exegese neutra e científica e, portanto, capaz de conseguir resultados confiáveis. Nada está mais longe da verdade, entretanto. O método histórico-crítico não é neutro ao contrário, é bastante tendencioso. “[5]
Até breve!



[1]Geralmente a literatura que tange esse assunto que é praticamente unanime quanto esse desenvolvimento independente da linha seguida exemplos são Lopes, Dillard e Longman, Schmidt (relacionados na bibliografia)além de  E.Sellin; G.Fohrer. Introdução ao Antigo Testamento. trad. Mateus Rocha - SãoPaulo: Ed. Academia Cristã Ltda, 2007; Gleason Leonard Archer ; tradução Oswaldo Ramos. Enciclopédia de temas bíblicos : respostas às principais dúvidas, dificuldades e "contradições" da Bíblia, 2. ed. - São Paulo : Editora Vida, 2001entre outros.
[2]Schmidt, Werner H. Introdução ao Antigo Testamento tradução Annemarie Hõhn I. São Leopoldo, RS : Sinodal, 1994. Pag.49-50.
[3] Dillard, Raymond B., Longman, III Tremper Introdução ao Antigo Testamento; tradução Sueli da Silva Saraiva. - São Paulo: Vida Nova, 2006, pag. 39-42. Basicamente é a mesma exposição do livro de Longman Como ler Gênesis, São Paulo: Vida Nova, 2009 pag. 47-52
[4] Longman, III Tremper, Como ler Gênesis, São Paulo: Vida Nova, 2009.
[5] Lopes, Augustus Nicodemus, O DILEMA DO MÉTODO HISTÓRICO-CRÍTICO NA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA, FIDES REFORMATA X, Nº 1 (2005): 115-138.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um engano chamado “teologia gay”

Prática da homossexualidade contraria doutrina bíblica e é incompatível com a fé cristã.

O padrão de Deus para o exercício da sexualidade humana é o relacionamento entre um homem e uma mulher no ambiente do casamento. Nesta área, a Bíblia só deixa duas opções para os cristãos: casamento heterossexual e monogâmico ou uma vida celibatária. À luz das Escrituras, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são vistas não como opção ou alternativa, mas sim como abominação, pecado e erro, sendo tratada como prática contrária à natureza. Contudo, neste tempo em que vivemos, cresce na sociedade em geral, e em setores religiosos, uma valorização da homossexualidade como comportamento não apenas aceitável, mas supostamente compatível com a vida cristã. Diferentes abordagens teológicas têm sido propostas no sentido de se admitir que homossexuais masculinos e femininos possam ser aceitos como parte da Igreja e expressar livremente sua homoafetividade no ambiente cristão.
Existem muitas passagens na Bíblia que se referem ao relacionamento sexual padrão, normal, aceitável e ordenado por Deus, que é o casamento monogâmico heterossexual. Desde o Gênesis, passando pela lei e pela trajetória do povo hebreu, até os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento, a tradição bíblica aponta no sentido de que Deus criou homem e mulher com papéis sexuais definidos e complementares do ponto de vista moral, psicológico e físico. Assim, é evidente que não é possível justificar o relacionamento homossexual a partir das Escrituras, e muito menos dar à Bíblia qualquer significado que minimize ou neutralize sua caracterização como ato pecaminoso. Em nenhum momento, a Palavra de Deus justifica ou legitima um estilo homossexual de vida, como os defensores da chamada "teologia inclusiva" têm tentado fazer. Seus argumentos têm pouca ou nenhuma sustentação exegética, teológica ou hermenêutica.
A "teologia inclusiva" é uma abordagem segundo a qual, se Deus é amor, aprovaria todas as relações humanas, sejam quais forem, desde que haja este sentimento. Essa linha de pensamento tem propiciado o surgimento de igrejas onde homossexuais, nesta condição, são admitidos como membros e a eles é ensinado que o comportamento gay não é fator impeditivo à vida cristã e à salvação. Assim, desde que haja amor genuíno entre dois homens ou duas mulheres, isso validaria seu comportamento, à luz das Escrituras. A falácia desse pensamento é que a mesma Bíblia que nos ensina que Deus é amor igualmente diz que ele é santo e que sua vontade quanto à sexualidade humana é que ela seja expressa dentro do casamento heterossexual, sendo proibidas as relações homossexuais.
Em segundo lugar, a "teologia inclusiva" defende que as condenações encontradas no livro de Levítico se referem somente às relações sexuais praticadas em conexão com os cultos idolátricos e pagãos, como era o caso dos praticados pelas nações ao redor de Israel. Além disso, tais proibições se encontram ao lado de outras regras contra comer sangue ou carne de porco, que já seriam ultrapassadas e, portanto, sem validade para os cristãos. Defendem ainda que a prova de que as proibições das práticas homossexuais eram culturais e cerimoniais é que elas eram punidas com a morte – coisa que não se admite a partir da época do Novo Testamento. É fato que as relações homossexuais aconteciam inclusive – mas não exclusivamente – nos cultos pagãos dos cananeus.
Contudo, fica evidente que a condenação da prática homossexual transcende os limites culturais e cerimoniais, pois é repetida claramente no Novo Testamento. Ela faz parte da lei moral de Deus, válida em todas as épocas e para todas as culturas. A morte de Cristo aboliu as leis cerimoniais, como a proibição de se comer determinados alimentos, mas não a lei moral, onde encontramos a vontade eterna do Criador para a sexualidade humana. Quando ao apedrejamento, basta dizer que outros pecados punidos com a morte no Antigo Testamento continuam sendo tratados como pecado no Novo, mesmo que a condenação capital para eles tenha sido abolida – como, por exemplo, o adultério e a desobediência contumaz aos pais.
PECADO E DESTRUIÇÃO
Os teólogos inclusivos gostam de dizer que Jesus Cristo nunca falou contra o homossexualismo. Em compensação, falou bastante contra a hipocrisia, o adultério, a incredulidade, a avareza e outros pecados tolerados pelos cristãos. Este é o terceiro ponto: sabe-se, todavia, que a razão pela qual Jesus não falou sobre homossexualidade é que ela não representava um problema na sociedade judaica de sua época, que já tinha como padrão o comportamento heterossexual. Não podemos dizer que não havia judeus que eram homossexuais na época de Jesus, mas é seguro afirmar que não assumiam publicamente esta conduta. Portanto, o homossexualismo não era uma realidade social na Palestina na época de Jesus. Todavia, quando a Igreja entrou em contato com o mundo gentílico – sobretudo as culturas grega e romana, onde as práticas homossexuais eram toleradas, embora não totalmente aceitas –, os autores bíblicos, como Paulo, incluíram as mesmas nas listas de pecados contra Deus. Para os cristãos, Paulo e demais autores bíblicos escreveram debaixo da inspiração do Espírito Santo enviado por Jesus Cristo. Portanto, suas palavras são igualmente determinantes para a conduta da Igreja.
O quarto ponto equivocado da abordagem que tenta fazer do comportamento gay algo normal e aceitável no âmbito do Cristianismo é a suposição de que o pecado de Sodoma e Gomorra não foi o homossexualismo, mas a falta de hospitalidade para com os hóspedes de Ló. A base para esta afirmação é que se diz, no original hebraico, que os homens de Sodoma queriam "conhecer" os hóspedes de Ló (Gênesis 19.5) e não abusar sexualmente deles, como é traduzido em várias versões, como na Almeida atualizada. Já a Nova versão internacional e aNova tradução na linguagem de hoje dizem que os concidadãos de Ló queriam "ter relações" com os visitantes, enquanto a SBP é ainda mais clara: "Queremos dormir com eles". Usando-se a regra de interpretação simples de analisar palavras em seus contextos, percebe-se que o termo hebraico usado para dizer que os homens de Sodoma queriam "conhecer" os hóspedes de Ló (yadah) é o mesmo termo que Ló usa para dizer que suas filhas, que ele oferecia como alternativa à tara daqueles homens, eram virgens: "Elas nunca conheceram (yadah) homem", diz o versículo 8. "Assim, fica evidente que "conhecer", no contexto da passagem de Gênesis, significa ter relações sexuais. Foi esta a interpretação de Filo, autor judeu do século 1º, em sua obra sobre a vida de Abraão: segundo ele, os homens de Sodoma se acostumaram gradativamente a ser tratados como mulheres."
Ainda sobre o pecado cometido naquelas cidades bíblicas, que acabaria acarretando sua destruição, a "teologia inclusiva" defende que o profeta Ezequiel claramente diz que o erro daquela gente foi a soberba e a falta de amparo ao pobre e ao necessitado (Ez 16.49). Contudo, muito antes de Ezequiel, o "sodomita" era colocado ao lado da prostituta na lei de Moisés: o rendimento de ambos, fruto de sua imoralidade sexual, não deveria ser recebido como oferta a Deus, conforme Deuteronômio 23.18. Além do mais, quando lemos a declaração do profeta em contexto, percebemos que a soberba e a falta de caridade era apenas um entre os muitos pecados dos sodomitas. Ezequiel menciona as "abominações" dos sodomitas, as quais foram a causa final da sua destruição: "Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali" (Ez 16.49-50). Da mesma forma, Pedro, em sua segunda epístolas, refere-se às práticas pecaminosas dos moradores de Sodoma e Gomorra tratando-as como "procedimento libertino".
Um quinto argumento é que haveria alguns casos de amor homossexual na Bíblia, a começar pelo rei Davi, para quem o amor de seu amigo Jônatas era excepcional, "ultrapassando o das mulheres" (II Samuel 1.26). Contudo, qualquer leitor da Bíblia sabe que o maior problema pessoal de Davi era a falta de domínio próprio quanto à sua atração por mulheres. Foi isso que o levou a casar com várias delas e, finalmente, a adulterar com Bate-Seba, a mulher de Urias. Seu amor por Jônatas era aquela amizade intensa que pode existir entre duas pessoas do mesmo sexo e sem qualquer conotação erótica. Alguns defensores da "teologia inclusiva" chegam a categorizar o relacionamento entre Jesus e João como homoafetivo, pois este, sendo o discípulo amado do Filho de Deus, numa ocasião reclinou a sua cabeça no peito do Mestre (João 13.25). Acontece que tal atitude, na cultura oriental, era uma demonstração de amizade varonil – contudo, acaba sendo interpretada como suposta evidência de um relacionamento homoafetivo. Quem pensa assim não consegue enxergar amizade pura e simples entre pessoas do mesmo sexo sem lhe atribuir uma conotação sexual.
"TORPEZA"
Há uma sexta tentativa de reinterpretar passagens bíblicas com objetivo de legitimar a homossexualidade. Os propagadores da "teologia gay" dizem que, no texto de Romanos 1.24-27, o apóstolo Paulo estaria apenas repetindo a proibição de Levítico à prática homossexual na forma da prostituição cultual, tanto de homens como de mulheres – proibição esta que não se aplicaria fora do contexto do culto idolátrico e pagão. Todavia, basta que se leia a passagem para ficar claro o que Paulo estava condenando. O apóstolo quis dizer exatamente o que o texto diz: que homens e mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza, e que se inflamaram mutuamente em sua sensualidade – homens com homens e mulheres com mulheres –, "cometendo torpeza" e "recebendo a merecida punição por seus erros". E ao se referir ao lesbianismo como pecado, Paulo deixa claro que não está tratando apenas da pederastia, como alguns alegam, visto que a mesma só pode acontecer entre homens, mas a todas as relações homossexuais, quer entre homens ou mulheres.
É alegado também que, em I Coríntios 6.9, os citados efeminados e sodomitas não seriam homossexuais, mas pessoas de caráter moral fraco (malakoi, pessoa "macia" ou "suave") e que praticam a imoralidade em geral (arsenokoites, palavra que teria sido inventada por Paulo). Todavia, se este é o sentido, o que significa as referências a impuros e adúlteros, que aparecem na mesma lista? Por que o apóstolo repetiria estes conceitos? Na verdade, efeminado se refere ao que toma a posição passiva no ato homossexual – este é o sentido que a palavra tem na literatura grega da época, em autores como Homero, Filo e Josefo – e sodomita é a referência ao homem que deseja ter coito com outro homem.
Há ainda uma sétima justificativa apresentada por aqueles que acham que a homossexualidade é compatível com a fé cristã. Segundo eles, muitas igrejas cristãs históricas, hoje, já aceitam a prática homossexual como normal – tanto que homossexuais praticantes, homens e mulheres, têm sido aceitos não somente como membros mas também como pastores e pastoras. Essas igrejas, igualmente, defendem e aceitam a união civil e o casamento entre pessoa do mesmo sexo. É o caso, por exemplo, da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos – que nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil –, da Igreja Episcopal no Canadá e de igrejas em nações européias como Suécia, Noruega e Dinamarca, entre outras confissões. Na maioria dos casos, a aceitação da homossexualidade provocou divisões nestas igrejas, e é preciso observar, também, que só aconteceu depois de um longo processo de rejeição da inspiração, infalibilidade e autoridade da Bíblia. Via de regra, essas denominações adotaram o método histórico-crítico – que, por definição, admite que as Sagradas Escrituras são condicionadas culturalmente e que reflete os erros e os preconceitos da época de seus autores. Desta feita, a aceitação da prática homossexual foi apenas um passo lógico. Outros ainda virão. Todavia, cristãos que recebem a Bíblia como a infalível e inerrante Palavra de Deus não podem aceitar a prática homossexual, a não ser como uma daquelas relações sexuais consideradas como pecaminosas pelo Senhor, como o adultério, a prostituição e a fornicação.
Contudo, é um erro pensar que a Bíblia encara a prática homossexual como sendo o pecado mais grave de todos. Na verdade, existe um pecado para o qual não há perdão, mas com certeza não se trata da prática homossexual: é a blasfêmia contra o Espírito Santo, que consiste em atribuir a Satanás o poder pelo qual Jesus Cristo realizou os seus milagres e prodígios aqui neste mundo, mencionado em Marcos 3.22-30. Consequentemente, não está correto usar a Bíblia como base para tratar homossexuais como sendo os piores pecadores dentre todos, que estariam além da possibilidade de salvação e que, portanto, seriam merecedores de ódio e desprezo. É lamentável e triste que isso tenha acontecido no passado e esteja se repetindo no presente. A mensagem da Bíblia é esta: "Todos pecaram e carecem da glória de Deus", conforme Romanos 3.23. Todos nós precisamos nos arrepender de nossos pecados e nos submetermos a Jesus Cristo, o Salvador, pela fé, para recebermos o perdão e a vida eterna.
Lembremos ainda que os autores bíblicos sempre tratam da prática homossexual juntamente com outros pecados. O 20º capítulo de Levítico proíbe não somente as relações entre pessoas do mesmo sexo, como também o adultério, o incesto e a bestialidade. Os sodomitas e efeminados aparecem ao lado dos adúlteros, impuros, ladrões, avarentos e maldizentes, quando o apóstolo Paulo lista aqueles que não herdarão o Reino de Deus (I Coríntios 6.9-10). Porém, da mesma forma que havia nas igrejas cristãos adúlteros e prostitutas que haviam se arrependido e mudado de vida, mediante a fé em Jesus Cristo, havia também efeminados e sodomitas na lista daqueles que foram perdoados e transformados.
COMPAIXÃO
É fundamental, aqui, fazer uma importante distinção. O que a Bíblia condena é a prática homossexual, e não a tentação a esta prática. Não é pecado ser tentado ao homossexualismo, da mesma forma que não é pecado ser tentado ao adultério ou ao roubo, desde que se resista. As pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo devem lembrar que tal desejo é resultado da desordem moral que entrou na humanidade com a queda de Adão e que, em Cristo Jesus, o segundo Adão, podem receber graça e poder para resistir e vencer, sendo justificados diante de Deus.
Existem várias causas identificadas comumente para a atração por pessoas do mesmo sexo, como o abuso sexual sofrido na infância. Muitos gays provêm de famílias disfuncionais ou tiveram experiências negativas com pessoas do sexo oposto. Há aqueles, também, que agem deliberadamente por promiscuidade e têm desejo de chocar os outros. Um outro fator a se levar em conta são as tendências genéticas à homossexualidade, cuja existência não está comprovada até agora e tem sido objeto de intensa polêmica. Todavia, do ponto de vista bíblico, o homossexualismo é o resultado do abandono da glória de Deus, da idolatria e da incredulidade por parte da raça humana, conforme Romanos 1.18-32. Portanto, não é possível para quem crê na Bíblia justificar as práticas homossexuais sob a alegação de compulsão incontrolável e inevitável, muito embora os que sofrem com esse tipo de impulso devam ser objeto de compaixão e ajuda da Igreja cristã.
É preciso também repudiar toda manifestação de ódio contra homossexuais, da mesma forma com que o fazemos em relação a qualquer pessoa. Isso jamais nos deveria impedir, todavia, de declarar com sinceridade e respeito nossa convicção bíblica de que a prática homossexual é pecaminosa e que não podemos concordar com ela, nem com leis que a legitimam. Diante da existência de dispositivos legais que permitem que uma pessoa deixe ou transfira seus bens a quem ele queira, ainda em vida, não há necessidade de leis legitimando a união civil de pessoas de mesmo sexo – basta a simples manifestação de vontade, registrada em cartório civil, na forma de testamento ou acordo entre as partes envolvidas. O reconhecimento dos direitos da união homoafetiva valida a prática homossexual e abre a porta para o reconhecimento de um novo conceito de família. No Brasil, o reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de herança e outros benefícios aconteceu ao arrepio do que diz a Constituição: "Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento" (Art. 226, § 3º).
Cristãos que recebem a Bíblia como a palavra de Deus não podem ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que seria a validação daquilo que as Escrituras, claramente, tratam como pecado. O casamento está no âmbito da autoridade do Estado e os cristãos são orientados pela Palavra de Deus a se submeter às autoridades constituídas; contudo, a mesma Bíblia nos ensina que nossa consciência está submissa, em última instância, à lei de Deus e não às leis humanas – "Importa antes obedecer a Deus que os homens" (Atos 5.29). Se o Estado legitimar aquilo que Deus considera ilegítimo, e vier a obrigar os cristãos a irem contra a sua consciência, eles devem estar prontos a viver, de maneira respeitosa e pacífica em oposição sincera e honesta, qualquer que seja o preço a ser pago.
Augustus Nicodemus Lopes é pastor presbiteriano, mestre e doutor em interpretação Bíblica pelo Potchefstroom University (Africa do Sul), Westminster Theological Seminary (Estados Unidos) e Theologische Universiteit te Kampen (Holanda)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O conferencista e o teólogo


O conferencista e o teólogo



Outro dia conversando com a minha cunhada ela disse que sentia necessidade de preparação pessoal para a obra de Deus, e também havia alguns membros de sua congregação desejando ter um maior conhecimento da Palavra, mas que era muito difícil adquirir tais conhecimentos. Conversamos na possibilidade de formatar algo que viesse preencher essa lacuna, no entanto ela fez uma ressalva, “o problema de quem estuda teologia é que fica frio ou critico demais e acha defeito em tudo!” tentei explicar que as coisas não são necessariamente dessa forma, mas logo fomos interrompidos e fiquei devendo uma explicação sobre a postura do teólogo. Aqui tento quitar essa dívida refletindo sobre o teólogo ou biblicista num culto rotineiro ante uma enxurrada de conferencistas advinda dos quatro ventos. Gostaria de salientar que não pretendo aprofundar no assunto, apenas refletir sobre à pratica comum em alguns púlpitos.
Conferencista.
Fico curioso quando vejo um cartaz sobre programação evangélica e antes do nome do preletor as palavras Conf. ou Conferencista ou ainda Conferencista Internacional, me pergunto o porquê desses títulos que se tornam quase prenomes, bem, a expectativa criada é que tal preletor seja um exímio conhecedor da área, pois conferencista é aquele que faz conferencia e conferencia por sua vez significa reunião de especialista para debater determinado assunto, portanto o conferencista preletor é O ESPECIALISTA, dentre os presentes sendo assim o mesmo deve ser habilitado para tal e consequentemente demonstrar expertise, apesar de certas conferencias não exigir dos participantes passivos, (ouvintes) qualificações, todos os presentes podem serem chamados de conferencista.
Quanto ao termo teólogo devemos atentar para o que diz o professor McGranth “As palavras que terminam com “logia” são baseadas na palavra grega logos, que significa algo como “conversa” ou “discussão”. Assim como “biologia” significa “conversa sobre a vida” (da palavra grega bios,“vida”). “Teologia” é, portanto, “conversa sobre Deus” (da palavra grega  theos , “Deus”). De certa forma, todos somos teólogos, na medida em todos queremos falar sobre Deus... teologia... é algo que traz profundidade e maravilhamento para nossa fé.”[1]  O teólogo ou biblicista é alguém que tem a capacidade de conversar sobre Deus, sabemos e tratamos mais propriamente como teólogo aquele que estudou ou estuda teologia. Aqui quero tomar como teólogo alguém que tem um conhecimento básico sobre as doutrina da fé cristã.
Conferência/culto.
A palavra conferencia dificilmente pode ser sinônimo de culto ou adoração, ainda que forçosamente alguém diga que é a parte da instrução ou ensino no culto, porem num culto todos os presentes devem participar de forma ativa[2] (1 Rs 18.36; Jo 4.24; Ex 19.5), numa conferencia a maioria dos participantes são passivos, o culto é para aperfeiçoamento e edificação do corpo de Cristo (Ef 4.11,12), numa conferencia é para se debater e chegar a uma conclusão sobre o debate, no culto o conhecimento é compartilhado visando o crescimento e a salvação, na conferencia o conhecimento é compartilhado visando um acordão ou pela simples de informações.
Um dos meus colegas de trabalho me chamou para ouvi uma mensagem da qual ele gostava muito, nessa mensagem o conferencista leu Gn 37.2 e 39.4 E então passou a “narrar” a historia de José para isso ele descontruiu e recontou a historia veja!
- Simeão era sanguinário, com ele era na peixeira.
- Rubem saiu para não participar do que fariam com José.
Eu particularmente dei graças a Deus quando o Cd começou a falhar e sair.
No culto de posse dum pastor o preletor soltou essa
- Moisés criou a trigonometria.
Esse mesmo conferencista conseguiu fazer do jumentinho de Mt 21 a personagem principal da historia.
Teve um que foi pastor da igreja em que eu congregava e dizia que, o pentagrama sagrado era o nome de Deus, e os judeus haviam esquecido. Esse mesmo ainda dizia que depressão era manifestação do diabo na vida da pessoa.[3] Alias estava para escrever um livro com “AS PERÓLAS DO MEU PASTOR”, mas felizmente para nossa congregação ele foi embora.
Um desses, se auto convidou, para pregar no templo central e conseguiu fazer o filho mais velho do capitulo quinze do evangelho de Lucas o protagonista da historia, além de dizer que o homem que deu emprego ao filho pródigo era árabe e só o fez isso para humilhar, pois sabia que é uma vergonha um judeu trabalhar com porcos. (onde ele conseguiu essas informações?)
Há ainda tem os conferencistas escritores, um deles produziu um livro com pelo menos uma falácia por paragrafo, e o outro fez uma “transliteração” pelo word, resultando em um erros primário e expondo a sua pseudo erudição.
Bem, não é preciso ter um grande conhecimento teológico para ver que os conferencistas cometem absurdos com a palavra de Deus, estando no local e ocasião inadequados os mesmo não fazem jus ao titulo que querem carregar, e ainda tem espaço, pois vivemos numa época em que as pessoas vão á igreja e não para o culto, e são analfabetas bíblicas, se não fossem assim haveria espaço para tais indivíduos?
Quero concluir pedindo a você que pense em alguma atividade ou área do conhecimento na qual você fez progresso, agora pergunto, a avaliação feita por você quando alguém esta realizando essa atividade é da mesma forma que você faria antes de adquirir tais conhecimentos? Acredito que sua resposta seja um enfático não, com o teólogo não é diferente, ele vê as coisas do ponto de vista de alguém que sabe das falácias praticadas em nosso meio. Convém aqui lembrarmos o conselho de Paulo “Continue a lembrar essas coisas a todos, advertindo-os solenemente diante de Deus, para que não se envolvam em discussões acerca de palavras; isso não traz proveito, e serve apenas para perverter os ouvintes. Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade.  Evite as conversas inúteis e profanas, pois os que se dão a isso prosseguem cada vez mais para a impiedade.” (2 Tm 2.14-16)[4].
P.S. Talvez o uso de tal titulo se deva ao fato da ausência de outros que possam vim a satisfazer o ego de tais camaradas.




[1] McGrath, Alister; Teologia para amadores; tradução de Rachel Vieira Belo de Azevedo. — São Paulo: Mundo Cristão, 2008. Pag.7,8
[2] Gonsalves José, Porção dobrada CPAD Rio de Janeiro RJ 2012 Pag. 57
[3] Pentagrama é um dos símbolos do satanismo enquanto tetragrama é as quatros letras que representa o nome pelo qual Deus se revelou a Moisés. Ex 3.10-14.
[4] Nova Versão Internacional